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"Ene-a-ó-til não"

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A algum tempo atrás escrevi sobre "adultecer" e como não poderia deixar de ser, já que partiu de mim e essa minha aversão a tornar-me adulta, discriminei o verbo como se não houvesse amanhã.  Pois bem, amanhã finalmente chegou - alguns anos atrasado, mas em tempo de reconceituar esse meu preconceito. Ser adulta é muito além de terminar os estudos, conseguir um emprego, firmar relacionamentos ou assumir responsabilidades. Você não se tornar adulto por que é formado, trabalha - e é muito bom no que faz, ou por que noivou, casou, teve filhos. Tem muito marmanjo por ai que está pra lá dos seus 40 anos e nunca se tornou adulto, contudo, tem também muita criança - em idade - que é capaz de lecionar sobre o que é ser um adulto e quando eu digo "lecionar" me refiro a exemplos vivos e não a teorias. Ser um adulto de verdade se consolida em uma ação que deveria ser simples, mas definitivamente não é. A ação de saber, querer e poder dizer NÃO! A ação de impo...

O corpo é meu!

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Cai por vezes nessa discussão sexista sobre o corpo feminino. Seja sobre a forma, a exposição, a posse, é sempre um debate imenso acerca do tema - curiosamente o debate termina de uma forma ou de outra no discurso que se resume basicamente a "ele não te pertence" e é esse o ponto que quero abordar nesse texto.  Como assim o MEU corpo não ME pertence?  Parece muito injusto carregá-lo toda uma vida e não ter sobre tal direito algum.  Não posso tatuá-lo por que é um templo DE Deus; Não posso expô-lo por que é vergonhoso para minha família, amigos, parceiro, afinal, meu corpo é DEles. Não posso modificá-lo, pois estou infringindo o que a sociedade espera, meu corpo é também DE toda uma sociedade, mas meu ele não é, meu ele não pode ser...  Se fosse eu poderia fazer-lhe o que me der na veneta e, pensando bem, eu até posso, mas não devo e é nesse "não dever" que o desejo é omitido, suprimido, camuflado, é nesse "não dever" que eu vejo garotas sofren...

Claro que sim!

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Uma vida inteira lutando contra a vontade de ser um so (por causa da falta de capacidade de outros em faze-lo). Gritando para quem quisesse ouvir que "isso nao e para mim" e que "nunca" aconteceria, porque na minha (nao) vasta experiencia eu sabia que tudo nao passava de "uma utopia completamente fadada ao fracasso". Eis entao que muitos anos depois, engasguei-me com minhas proprias palavras e quis como a coisa mais importante de minha vida, essa tal utopia, esse suposto fracasso. Meu raciocinio tao logico nem sequer fez meu coracao relutar em responder SIM aquela proposta tao indecentemente fantastica que ele me fez, e entao, ontem, assumi o tao temido status de "noiva", a mesma que antecede esposa e que sucede namorada, mas que acima de tudo caracteriza a aceitacao do casamento. Como posso ter relutado por tanto tempo a uma vontade tao implacavel? Como me neguei por anos e anos a sensacao maravilhosa de ser querida, realmente querida e des...

Adeus Status Quo

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Voltando com clichês e voltando também a eles, venho hoje ressaltar a importância de sermos nós mesmos acima de tudo [...] É que, vendo meu reflexo em alguém mais jovem, relembrei de um tempo não tão longe assim em que eu fazia questão de, como a maioria dos jovens, me destacar sim, mas me destacar literalmente, com os ofícios que a essa palavra cabe, sendo exclusiva, diferente de um grupinho basicamente padronizado, nem que fosse só pelos costumes. Não era difícil ser taxada de 'careta' naquela época. Eu estava mais para leituras enfadonhas, textos infinitos e romances impossíveis do que para festas, farras e outras coisas do tipo que meus amigos tanto a apreciavam. Aliás, comecei cedo a sofrer as consequências da minha - como posso dizer - 'despadronização'... era de poucos amigos, mas dos melhores que se pode ter, os que me ensinaram principalmente a nunca ser para os outros, aquelas pessoas mesquinhas e fúteis que me destratavam por eu não ser delas ou como...

"Do you wanna play a game?"

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E você pensou o que afinal? Que depois de todos esses anos, mesmo com todas as mágoas e desastres que você trouxe para minha vida, iria simplesmente resolver voltar e eu estaria te esperando? Que um "sincero perdão" te redimiria automaticamente do grande filho da mãe que você é, ou foi - tanto faz? Não é como se tivesse dado uma pausa num filme qualquer e que quando estivesse a fim poderia simplesmente apertar o play e ele continuaria exatamente de onde parou... As coisas mudam, eu mudei.  Pode não ser tão evidente, mas agora sou bem mais sábia e madura do que já fui um dia. Penso diferente, ajo diferente e principalmente, quero coisas completamente diferentes de outrora. Começando pela paz de espírito - aquela mesma que tantas vezes abri mão para estarmos juntos e que hoje, sem dúvida, eu jamais trocaria por você ou por quem quer que seja. Além do mais, sejamos francos, foi tudo como um jogo - um bom jogo, confesso - divertido, envolvente, cheio de idas e vindas, ganhos e...

"Ser livre" é o que?

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Se tem uma coisa que eu prezo nessa vida é a minha liberdade.  Na maioria das vezes amo isso mais que a qualquer coisa ou pessoa, até mais que a mim. Nada se compara ao meu direito de ir e vir. Minha capacidade de sentir, falar, impor. O entusiasmo de viver como eu quero, traçar caminhos que escolho e poder, incondicionalmente, fazer o que me convém, o que me comove - apesar das consequências, aliás, mesmo com todas elas. Gosto dessa coisa toda de ficar por vontade, ir embora pelo mesmo motivo, permanecer simplesmente por que me é gostosa a ideia, a vivência e sair sem me sentir presa, sempre que der, sempre que preciso. Explorar, cultivar, ignorar aquilo ou aqueles que eu achar que devo, quando eu achar que devo... Fui criada assim e embora seja uma teimosia dolorida, me dói com alma, com verdade, por isso é uma dor aceitável, uma dor menos amarga que padecer sem vontade própria, dizendo amém para tudo e seguindo mestres coadjuvantes, quando na verdade a principal e única...

Hunpf!

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Inexplicavelmente, desde quase sempre eu cultivo um sentimento impar pelos rabugentos. Seja para amizade ou para relacionamentos, me move (e comove) a ideia de conhecer o sorriso dessas pessoas, de fazê-las bem e principalmente de ir descobrindo pouco a pouco que os rabugentos amam, sentem, podem ser felizes tanto ou mais que nós, os ditos 'dados', simpáticos, sociáveis...  É curiosa essa minha preferência por que com certeza não me encaixo no grupo e portanto - pela lógica - não temos muitas afinidades. De todo modo, não faço questão de ter mesmo, acho que é ai que está a magia da coisa toda, nos conflitos e na admiração genuína e paralela a qualquer diferença. Nessa missão quase impossível de conquistar a confiança deles, o espaço para ser parte, merecê-los. Vejo nos tais rabugentos, a oportunidade de trazer alegria, despertar boas sensações, descobrir sorrisos escondidos e nossa! Como são tão lindos os sorrisos dessa gente, justamente por que são raros, difíceis...