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Eu costumava falar muito mal do Brasil...

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At e eu sair dele.     Falava que o Brasil era um pais cheio de corrupcao, injustica, pobreza, poluicao. Clima dificil. Pessoas mais dificeis ainda. Analfabetismo. Crimes. Violencia. E tantos outros defeitos que nao sao fanstasiosos, mas que talvez naos sejam tao gritantes quanto nos, brasileiros, costumamos grita-los.   Eu falava mal do Brasil porque eu nunca tinha saido dele. Falava mal porque nunca tinha ouvido as historias de outros paises, as realidades tao ruins ou piores do que a que a gente acredita viver.     Falava mal do Brasil, porque nao fazia ideia de que na Tailandia, por exemplo, quando voce  é  jovem, voce nao pode sequer mencionar a palavra sexo. Literalmente. E que a unica educacao sexual que voce recebe  é  atraves de amigos da sua idade que tiveram pouca ou nenhuma instrucao como voce. Perguntar isso para um adulto esta fora de cogitacao. Desrespeitoso. Inaceitavel.     Falava mal do Brasi...

Linda, livre, leve e amada.

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Hoje eu fui livre.  E ser livre deve ser rotina. Pra mim costuma ser, mas hoje foi mais. Hoje foi daquela liberdade que a gente resplandece. Liberdade que acende a gente sabe? Fui livre para ser livre, fui livre para estar livre. Livre para dancar, para brincar, para me jogar e me perder de amarras e julgamentos. Daquelas liberdades que a gente ta se curtindo tanto que se desconecta do mundo. Meio que cega, meio que ensurdece e se deixa dirigir so pela sensacao. Meu marido, a pessoa que supostamente devia ser o primeiro a me prender, me deixava voar cada vez mais longe so com o brilho do olhar de admiracao. O que ele viu, como ele viu, nao tinha maldade, nao tinha social. Ele via com amor e quando a gente ama, a gente liberta so para poder ver o outro feliz e pleno.  Estavamos numa festa, eu, ele e mais um monte de gente que no fim eu nao deveria me importar com a opiniao por uma serie de razoes. Ele, como sempre, sentou e foi conversar. Eu, como sempre, fui danca...

Brazilidade

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Havia uma gringo entre as brasileiras.  A festa era brasileira. A comida era brasileira. A musica era brasileira e a danca tambem. As conversas eram brasileiras e o tom de voz dos convidados era mais brasileiro ainda. A risada? Brazileirissima! O gringo olhava para todos os lados, observava detalhes e comportamentos. Sua expressao estava num misto de estranhamento e fascinio. Como falavam aquelas pessoas. Como tem tanta energia. Tanta alegria. O barulho podia ser ensurdecedor para quem nao tem costume, mas ali, naquele ponto de observacao, barulho na verdade era de riso. Batucada era musica. Aquele mover desengoncado de corpos era danca e a particularidade do ritual todo, era lindo de se ver, era lindo de se fazer parte.  Os brasileiros sao um povo animado. Um povo sem vergonha de se divertir e quase sem pudor no que se refere a condutas sociais em festas. O conceito de classe e educacao la no Brasil  é  diferente do conceito de classe e educacao d...

Companheiro.

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  Quanto mais velha (e madura?) vou ficando, mais vou entendendo porque chamam o par romantico de companheiro(a)/parceiro(a). A nomenclatura nao so  é  literal, como faz muito sentido, especialmente na convivencia e com o passar do tempo.  Ser companheiro(a) significa " aquele que participa das ocupacoes, atividades, aventuras ou do destino de outra pessoa ", segundo o dicionario; E nao haveria definicao ou palavra melhor que descrevesse o nosso par, o nosso parceiro de vida.  Nosso pais (ou aqueles que nos criam) sao nossos companheiros tambem, principalmente nos nossos primeiros anos de vida. Eles que estao conosco, compartilhando, convivendo, crescendo e se transformando junto. Mas a gente cresce e comeca a entender que eles tem suas proprias vidas, e nos tambem temos e queremos a nossa, independente - sem se desligar completamente, mas sem tanta conexao como antes - . Saimos do ninho e com essa saida, mudamos as companhias.  Em seguida (ou durant...

Aquele botaozinho.

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 Ja reparou como, independente do que voce faca ou quem voce seja, sempre tera alguem para te julgar ou ate mesmo te xingar?  Desenvolvi essa teoria na adolescencia e diferente da maioria das teorias que a gente desenvolve com os hormonios a flor da pele, essa foi uma das poucas que se confirmou com o passar dos anos: Nao importa o quanto voce tente seguir todas as regras e agradar todo mundo, voce sempre deixara alguem insatisfeito e esse(s) alguem(s) sempre ira(o) ver o pior de voce - ou criar algo ruim sobre voce.  Posso citar varios exemplos, pessoais ou nao.  Como uma amiga minha que  é  super gente boa, alto-astral, amigavel, bem-resolvida, feliz profissionalmente e no amor, mas fica ofuscada atras do rotulo de gorda que as pessoas colocam nela independente da consquista que ela fizer.  "Como aquela orca consegue isso e eu nao?"  "Uma gorda dessa, nao sei como consegue alguem que queira"  "Gorda sebosa!".  ...

O lugar para correr.

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Eu tinha 14 anos, talvez menos.   Os hormonios borbulhavam num temperamento que sempre foi questionador e o lugar que deveria ser meu refugio e a minha paz, tinha se tornado meu tormento. Era briga, discussao e exigencias o tempo todo. Era atrito, era convivencia forcada e um dia me peguei fugindo de la. Corri dali como uma insana. Descalca, descabelada, com a roupa que estava no corpo e nada mais. Corri sem rumo, sem certeza nenhuma de onde pararia. Corri e cheguei (por acaso?) a casa de uma parente. Molhada de suor, lagrimas e chuva. Exausta, entalada... Fui recebida e acolhida, mas no fundo sabia que nao era para estar ali entulhando os outros com os meus problemas. Descobri portanto, naquele dia, que a gente sempre precisa de um lugar para correr. Um lugar para restaurar a paz, a sanidade, a respiracao. Um lugar que seja nosso, so nosso.  Diferente de casa, diferente de familia, diferente de lar. Esse lugar tambem  è  abrigo, mas  è  abrig...

Mulher de vida perfeita.

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Acordei as 7:00. Alias, venho acordando nesse horario de domingo a domingo. Sono ta acumulado de pelo menos umas 3 semanas atras. Nada demais. Tanta gente que acorda mais cedo e nao se importa mais.   O cliente comecou a chamar as 6:30 da manha cheio de requisicoes. Trabalho em casa, entao me dei ao "luxo" de poder ignora-lo ate as 7:00. Levantei, fiz aquele xixi rapidao e ainda despenteada, sem escovar os dentes, ja comecei a rotina insana que tem sido minha jornada. Corre pro escritorio, libera as coisas do cliente. Prepara cafe, meu, do marido, dos 'filhos'. Todo mundo ok? Entao ta. Corre para limpar a casa, ainda tenho 30 minutos para fazer uma faxina e deixar tudo apresentavel para a proxima reuniao. Trabalhar em casa  é  assim mesmo, n é ? Faxina feita, faltavam quatro minutos para chegarem. Mensagem recebida que estao chegando, corre escovar esses dentes e pelo menos amarrar esse cabelo. Chegaram.  Uma hora de reuniao, mais uma hora de tentativas a...