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2010.

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Sobre coisas que se mantêm e se fortalecem com o passar dos anos.

Sobre eu em antiga vida.

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" No entanto são os defeitos dela o que mais me custa aturar. Não sei como abafar meus sentimentos. Não posso estar sempre chamando atenção para o seu desmazelo, suas ironias e sua falta de carinho. Também não posso acreditar que a culpa seja sempre minha.  Somos diferente em tudo. É natural, portanto, que entremos em choque. Não posso julgar o caráter, eu apenas a vejo como mãe e justamente isso ela não consegue ser para mim. Sou obrigada a ser minha própria mãe. Afastei-me de todos. Eu mesma tomarei o leme da minha vida e mais tarde decidirei onde aportar. Tudo isso veio a tona principalmente por que formei uma imagem dentro da minha cabeça, a imagem do que chamar de mãe, a menor semelhança com a imagem formada. [...] Quero ver apenas o seu lado bom e procurar em mim mesma o que não encontro nela. Tudo inútil. [...]  As vezes penso que Deus está me pondo a prova; preciso torna-me boa através dos meus próprios esforços, sem exemplos nem bons conselhos. Assim, no futuro...

Obsoletíveis.

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Vivemos em um mundo de emergência e isso é desesperador. Nos acostumamos tanto a instantaneidade que desaprendemos a esperar. Perseverar é palavra em completo desuso ou em excesso, não existe mais meio termo, definitivamente Quando demora mais do que queremos (ou nos habituamos), deixamos simplesmente de lado e trocamos por uma opção mais prática, simples e rápida. Quando é algo que não se substitui a gente persevera de forma frenética achando que toda essa neurose pode acelerar a ordem natural das coisas - aliás, nada mais acontece com naturalidade, tudo tem que acontecer "para já" e preferencialmente ao mesmo tempo, estamos surtados, só pode. Consigo pensar em pelo menos duas ou três situações diárias que comprovam essa insanidade coletiva, seja essa necessidade exagerada de respostas rápidas sobre qualquer coisa que deveria ser amena e adiável; essa compulsão por engolir informações sem ao menos conseguirmos processá-las ou esse consumo abusivo de tralha, só para esta...

"Escolha uma estrada e não olhe para trás."

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Quando mais jovem criei um sistema de relacionamentos que sustento - e que me sustenta - até hoje. Consiste basicamente em retirar - ou deixar - coisas e pessoas da minha vida aos poucos, deletar pequenos pedaços de algo a cada vez que tal coisa demonstra de alguma forma que não vale a pena, isso obviamente é decidido por motivos maiores que uma birra qualquer, geralmente são motivações que reincidiram, afinal, todo mundo e tudo merece uma segunda chance, mas eu não mereço a ilusão de dar chances eternas a quem ou o que definitivamente não vai  mudar. Com esse sistema sobrevivi as piores crises que já passei e consegui apagar completamente aquilo ou aqueles que não mereciam lugar na minha memória (nem mesmo para mágoa). Popularmente falando "se eu não lembro, eu não fiz" e é justamente assim que a coisa toda flui e dá certo. Basicamente, guardo comigo indícios dos contatos com todas as pessoas que crio vínculo - são notas na minha agenda, cartas, objetos,...

Beijar a flor e provar o fel... ou o mel.

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Estava no meu quarto quando escutei o murmuro de dó vindo lá da cozinha: - Aaaaw, um beija-flor. Era minha mãe pontuando aquele hóspede inesperado no nosso apartamento, inesperado e desesperado, vale salientar. O pobre pássaro estava em uma agonia de dar dó mesmo, se debatendo em meio a luminária, desesperado para sair dali e acuado demais para fazê-lo, começou então a operação resgate daquele serzinho para que ele voltasse a beijar suas flores lá em baixo, no jardim, imaculado, inteiro, sem machucados... Mas como lidar com uma criatura tão miúda e tão aparentemente frágil? O mundo é demasiado bruto e grande para algo tão delicado, ainda assim ele existe e estava ali com o destino na mão desse mesmo mundo. Bolei planos com minha mãe para podermos capturá-lo sem causar-lhe nenhum dano e começou aquele corre, sobe, desce, pega, larga, voa, cai no meio da nossa cozinha... O beija-flor parecia não entender que não estávamos tentando lhe fazer mal, e nem poderia, quantas pessoas re...

"Ene-a-ó-til não"

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A algum tempo atrás escrevi sobre "adultecer" e como não poderia deixar de ser, já que partiu de mim e essa minha aversão a tornar-me adulta, discriminei o verbo como se não houvesse amanhã.  Pois bem, amanhã finalmente chegou - alguns anos atrasado, mas em tempo de reconceituar esse meu preconceito. Ser adulta é muito além de terminar os estudos, conseguir um emprego, firmar relacionamentos ou assumir responsabilidades. Você não se tornar adulto por que é formado, trabalha - e é muito bom no que faz, ou por que noivou, casou, teve filhos. Tem muito marmanjo por ai que está pra lá dos seus 40 anos e nunca se tornou adulto, contudo, tem também muita criança - em idade - que é capaz de lecionar sobre o que é ser um adulto e quando eu digo "lecionar" me refiro a exemplos vivos e não a teorias. Ser um adulto de verdade se consolida em uma ação que deveria ser simples, mas definitivamente não é. A ação de saber, querer e poder dizer NÃO! A ação de impo...

O corpo é meu!

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Cai por vezes nessa discussão sexista sobre o corpo feminino. Seja sobre a forma, a exposição, a posse, é sempre um debate imenso acerca do tema - curiosamente o debate termina de uma forma ou de outra no discurso que se resume basicamente a "ele não te pertence" e é esse o ponto que quero abordar nesse texto.  Como assim o MEU corpo não ME pertence?  Parece muito injusto carregá-lo toda uma vida e não ter sobre tal direito algum.  Não posso tatuá-lo por que é um templo DE Deus; Não posso expô-lo por que é vergonhoso para minha família, amigos, parceiro, afinal, meu corpo é DEles. Não posso modificá-lo, pois estou infringindo o que a sociedade espera, meu corpo é também DE toda uma sociedade, mas meu ele não é, meu ele não pode ser...  Se fosse eu poderia fazer-lhe o que me der na veneta e, pensando bem, eu até posso, mas não devo e é nesse "não dever" que o desejo é omitido, suprimido, camuflado, é nesse "não dever" que eu vejo garotas sofren...